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Exames de sangue para avaliação da tireóide
Data: 07/06/2004

A tireóide é uma glândula que produz hormônios fundamentais para o metabolismo normal do organismo. Existem alguns exames de sangue que medem os níveis desses hormônios, identificando se a produção hormonal é normal, maior ou menor que os valores esperados.

O que são hormônios tireoideanos?
São hormônios produzidos pela tireóide, uma glândula localizada na região inferior do pescoço. A glândula envolve a traquéia e tem um formato semelhante a uma borboleta – sendo constituída por 2 lobos unidos pelo istmo. A tireóide produz hormônios a partir do iodo (obtido principalmente, de em alimentos como frutos do mar, pães e sal).

Os hormônios mais importantes são a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), que constituem 99,9% e 0,1% dos hormônios tireoideanos liberados na circulação, respectivamente. Entretanto, o hormônio com maior atividade biológica é o T3.

Após a liberação hormonal para a circulação, uma grande quantidade de T4 é convertida em T3 – o hormônio com maior efeito sobre o metabolismo celular.

Regulação hormonal
A tireóide é controlada pela hipófise, que, por sua vez, é regulada pela tireóide (“retroalimentação” dos hormônios tireoideanos sobre a hipófise) e pelo hipotálamo.

O hipotálamo produz o hormônio liberador de tireotropina (ou TRH), que promove a liberação do hormônio estimulador da tireóide (TSH) pela hipófise. Este promove a liberação dos hormônios tireoideanos. Alterações em qualquer um desses níveis podem provocar uma deficiência dos hormônios tireoideanos (hipotireoidismo). A produção dos hormônios tireoideanos é regulada pela hipófise. Quando há níveis reduzidos de hormônios tireoideanos na circulação, a hipófise libera o TSH para estimular a produção desses hormônios.

>> Hipotálamo – TRH >> Hipófise- TSH >> Tireóide- T4 e T3
Por outro lado, quando ocorrem concentrações elevadas, os níveis de TSH diminuem com o objetivo de reduzir a produção de hormônios tireoideanos. Nos pacientes com hipotireoidismo, observa-se uma deficiência de hormônios tireoideanos. Naqueles com hipertireoidismo, observam-se níveis elevados desses hormônios.

Como é feito o diagnóstico de hipotireoidismo?
Deve-se suspeitar de hipotireoidismo em pacientes com queixa de fadiga, intolerância ao frio, constipação e extremidades frias. Para confirmar o diagnóstico, é necessário solicitar um exame de sangue.

Em pacientes com hipotireoidismo, observam-se níveis reduzidos de hormônios tireoideanos (T3 e T4). Nos estágios iniciais, entretanto, esses valores podem ser normais. Portanto, o principal exame para o diagnóstico de hipotireoidismo é a dosagem de TSH. Conforme descrito anteriormente, o TSH é secretado pela hipófise. Quando ocorre uma diminuição dos níveis de hormônios tireoideanos presentes na circulação, a hipófise libera uma maior quantidade de TSH para estimular a produção desses hormônios. Essa elevação dos níveis de TSH pode ser identificada alguns meses ou anos antes da redução nos níveis de T3 e T4 . Entretanto, uma exceção deve ser lembrada.

Se a deficiência de hormônios tireoideanos for provocada por alterações hipofisárias ou hipotalâmicas (condições conhecidas por hipotireoidismo secundário ou terciário), os níveis de TSH serão reduzidos. Um exame diferente, conhecido como teste do TRH, pode ajudar a diferenciar doenças causadas por alterações hipofisárias daquelas causadas por alterações hipotalâmicas. Esse exame, realizado por especialistas, requer a administração intravenosa.

Como é feito o diagnóstico de hipertireoidismo?
Deve-se suspeitar de hipertireoidismo em pacientes com tremores, sudorese excessiva, cabelos finos, taquicardia (elevação da freqüência cardíaca) e aumento de volume da tireóide. Também pode ocorrer exoftalmia (condição na qual os olhos parecem saltar, devido à elevação das pálpebras superiores). Em estágios avançados, a doença é facilmente diagnosticada. No início, entretanto, principalmente em pacientes de idade avançada, o diagnóstico pode ser difícil.

Em todos os casos, é necessário realizar um exame de sangue para confirmar o diagnóstico. Em pacientes com hipertireoidismo, observam-se níveis elevados dos hormônios tireoideanos. No entanto, a dosagem de TSH é o principal exame para o diagnóstico.
Quando ocorre uma elevação dos níveis de hormônios tireoideanos presentes na circulação, a hipófise libera uma menor quantidade de TSH (fenômeno chamado down-regulation, em inglês) para inibir a produção desses hormônios.

No hipertireodismo, portanto, ocorrem níveis reduzidos ou indetectáveis de TSH. Entretanto, existe uma exceção. Em casos nos quais os níveis elevados de hormônios tireoideanos são produzidos por um tumor hipofisário secretor de TSH (condição pouco comum, denominada hipertireoidismo secundário), observam-se níveis elevados de TSH.

Existem outros exames para a avaliação da tireóide?
Os exames mencionados acima podem confirmar a deficiência ou a produção aumentada de hormônios tireoideanos e, portanto, são utilizados para o diagnóstico de hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Entretanto, eles não apontam uma causa específica.

Para identificá-la, o médico deve levar em consideração a história clínica, o exame físico e, em alguns casos, outros exames complementares, como a pesquisa de anticorpos anti-tireoideanos, exames de medicina nuclear, ultra-sonografia de tireóide, dentre outros.

Punção aspirativa com agulha fina (PAAF) – o que é?
O melhor método para confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer é a biópsia de tireóide. Durante muitos anos, o procedimento de escolha foi a core biópsia, um método que consiste na retirada de um fragmento da glândula através de cirurgia. Atualmente, a PAAF é considerada o método de escolha para a obtenção de pequenas amostras de tecido tireoideano. Trata-se de um procedimento simples que, quando realizado de forma adequada, apresenta um índice de falsos negativos menor que 5% (ou seja, em menos de 5 casos, entre 100 pacientes com alterações, a doença não será diagnosticada).

A PAAF deve ser realizada em todos os nódulos tireoideanos?
Em alguns casos, o médico pode preferir não realizar a biópsia de um nódulo tireodeano. Em pacientes com hipertireoidismo, por exemplo, a chance de um nódulo representar câncer é significativamente menor, principalmente quando outros estudos (como a cintilografia) mostram que o nódulo produz hormônios (nódulo “quente”). O médico pode solicitar a PAAF para:

<!--[if !supportLists]-->·         diagnosticar um nódulo tireoideano; <!--[endif]-->

<!--[if !supportLists]-->·         ajudar a estabelecer o tratamento de um nódulo tireoideano; <!--[endif]-->

<!--[if !supportLists]-->·         drenar um cisto que causa sintomas; <!--[endif]-->

<!--[if !supportLists]-->·         administrar uma medicação para evitar o reaparecimento de um cisto recorrente. <!--[endif]-->