Cuidando da sua Saude

Ginecologia
Tratamento dos sintomas sexuais da menopausa
Data: 23/06/2004

Aqueles que após a 2ª Guerra Mundial promoveram a revolução sexual dos anos 60 e 70 e atingiram a meia-idade estão agora liderando uma nova revolução. Não estão discutindo pela primeira vez apenas a disfunção sexual, de forma aberta, mas procuram encontrar soluções. As mulheres na pós-menopausa descobriram que não precisam experimentar os problemas sexuais desse período em silêncio, e muitas estão procurando ajuda antes desses problemas se tornarem crônicos.

Fazendo o diagnóstico adequado
O primeiro passo para o tratamento das disfunções sexuais na meia-idade consiste em um exame físico completo e uma boa história clínica, obtidos por um médico especialista nessa área. Pode ser um ginecologista, uroginecologista ou psiquiatra envolvido no tratamento das disfunções sexuais. Não se preocupe com a idéia de procurar um psiquiatra. Os distúrbios sexuais podem ter origem física e psíquica - como, por exemplo, na associação de depressão e dor causada pela atrofia do tecido de revestimento da vagina. É difícil tratar o corpo sem se preocupar com a mente.

Existem inúmeros distúrbios orgânicos que podem interferir com a atividade e o prazer sexual nesse período da vida, entre os quais podemos destacar: a vulvodínea, uma síndrome dolorosa crônica que acomete a vulva e afeta milhares de mulheres; o vaginismo, que consiste em contrações involuntárias de músculos da vagina que dificultam ou impedem a relação sexual; e a vaginite atrófica, causada pela perda da lubrificação vaginal em decorrência da diminuição dos níveis de estrógeno após a menopausa. Em alguns casos, o distúrbio pode ser causado por níveis reduzidos de testosterona, o hormônio sexual masculino. Problemas psiquiátricos, como a depressão ou a ansiedade, também podem estar envolvidos.

Embora níveis reduzidos de testosterona provoquem diminuição da libido, perda da lubrificação vaginal e outros distúrbios, como problemas de relacionamento também podem causar distúrbios semelhantes. Exames de sangue podem identificar mulheres com níveis reduzidos de testosterona. Quando a mulher apresenta níveis normais de testosterona mas se queixa de diminuição da libido, devem ser pesquisadas outras possíveis causas para o problema.

Os distúrbios sexuais mais comumente diagnosticados entre as mulheres incluem:

  • Desejo sexual hipoativo - diminuição da libido
  • Distúrbio da excitação sexual feminina - ausência de resposta adequada ao estímulo sexual, afetando a lubrificação vaginal e o fluxo sangüíneo para a região genital
  • Distúrbio do orgasmo feminino - o orgasmo não é atingido plenamente ou é atingido com dificuldade
  • Dispareunia - dor durante a relação sexual, geralmente causada pela vaginite atrófica

Encontrando a melhor solução
Várias opções terapêuticas encontram-se disponíveis para a disfunção sexual feminina, mas a escolha do melhor método requer uma avaliação médica adequada. Em alguns casos, deve-se inicialmente rever os medicamentos de uso prolongado utilizados pela paciente. As mulheres com hipertensão arterial e diabetes, por exemplo, podem apresentar distúrbios sexuais tanto em decorrência de certos medicamentos como por alterações em pequenos vasos sangüíneos que dificultam o fluxo de sangue para os órgãos genitais.

Para o tratamento da hipertensão, deve-se empregar uma droga que não provoque disfunção sexual. Da mesma forma, alguns antidepressivos podem causar problemas sexuais. A bupropiona (Zyban) e a nefazodona (Serzone) apresentam menos efeitos colaterais relacionados à função sexual que as drogas como o Prozac, conhecidas como inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Em muitos casos, a associação de terapia sexual e outras modalidades terapêuticas é bastante eficaz. Receitar um remédio, isoladamente, pode não ser suficiente para resolver os distúrbios. Se houver problemas de relacionamento, os medicamentos não serão eficazes, e os problemas podem ser solucionados com o aconselhamento do casal. A terapia sexual utiliza exercícios específicos para aumentar o prazer sexual. Se os problemas estão relacionados à depressão, o tratamento deve ser baseado em antidepressivos ou terapia. Quando o problema se deve a níveis reduzidos de testosterona, a associação de reposição hormonal e terapia sexual pode ser eficaz. Essas modalidades terapêuticas atuam em conjunto para melhorar a vida sexual da mulher.

Tratamentos disponíveis para a disfunção sexual feminina
Reposição de estrógeno - A perda da lubrificação vaginal é um problema comum durante a peri-menopausa e entre as mulheres na pós-menopausa que não utilizam a terapia de reposição de estrógeno. Os tecidos dos órgãos genitais possuem receptores para esse hormônio, na ausência do qual, por período prolongado, passam a atrofiar. Esse efeito é revertido através da reposição de estrógeno, que pode ser realizada de várias formas diferentes. O hormônio pode ser administrado através de comprimidos ou adesivos, sendo empregado para o tratamento ou a prevenção de diversas condições relacionadas à menopausa. Existe ainda a possibilidade de realizar um tratamento localizado, especificamente utilizado em problemas vaginais. O produto mais recente dessa classe de medicamentos é o VagiFem (Pharmacia), um comprimido de estrógeno que é inserido na vagina duas vezes por semana para o tratamento de irritações e da atrofia vaginal. Outros produtos incluem cremes vaginais e o Estring (Pharmacia), um anel vaginal plástico flexível que libera 2 miligramas de beta-estradiol e que deve ser substituído a cada três meses, ajudando a restituir o tecido vaginal normal. O Estratest (Solvay Pharmaceuticals), uma combinação de estrógeno e testosterona aprovada para o tratamento dos sintomas da menopausa, mostrou-se eficaz em algumas mulheres com diminuição da libido.

Reposição de testosterona - Conforme discutido anteriormente, a deficiência de testosterona pode causar diminuição da libido, perda da lubrificação vaginal e outros distúrbios sexuais na meia-idade. A reposição desse hormônio, sob a forma de adesivos, pode aumentar a libido de mulheres com essa deficiência. Um estudo publicado na edição de setembro de 2000 do New England Journal of Medicine demonstrou que a utilização de adesivos de testosterona melhorou a função sexual e a sensação de bem-estar em mulheres na menopausa pós-cirúrgica e que realizavam reposição de estrógeno. Em um pequeno estudo controlado (com placebo) publicado em fevereiro de 2000 no Archives of General Psychiatry, o uso sublingual de comprimidos de testosterona apresentou efeitos benéficos sobre a função sexual de 8 mulheres submetidas a estímulos sexuais.

Esses trabalhos são promissores, mas deve-se lembrar que a testosterona apresenta efeitos colaterais, como o aparecimento de acne, o crescimento de pêlos e a elevação do colesterol "ruim". Ainda não existem diretrizes para a administração de testosterona para mulheres, conforme ressalta a Dra. Bartlik. O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda cautela para os médicos que prescrevem testosterona, tendo em vista que os efeitos do uso prolongado desse hormônio ainda não são conhecidos.

Suplementos - Existem diversos suplementos vendidos sem prescrição médica que podem melhorar o desempenho sexual. O ArginMax (Daily Wellness Company) é um dos poucos que foram avaliados em estudos clínicos. É produzido a partir da L-arginina, ginseng americano, folha de damiana, ginkgo biloba, vitaminas e niacina. A L-arginina é utilizada na produção do óxido nítrico, substância que, entre outras coisas, promove o relaxamento do músculo liso encontrado nos vasos sangüíneos, permitindo um maior fluxo sangüíneo para os órgãos genitais. Alguns estudos sugerem que o ginseng aumenta a conversão de L-arginina em óxido nítrico, além de melhorar a circulação microvascular. Acredita-se que a folha de damiana seja um estimulante sexual.

Um estudo com o ArginMax, conduzido pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Stanford University, distribuiu aleatoriamente 49 mulheres entre 25 e 70 anos de idade que receberam comprimidos com o produto ou com placebo durante 4 semanas. Entre as mulheres que utilizaram o ArginMax, 76% relataram aumento do desejo sexual, 60% relataram aumento de sensibilidade do clitóris durante o estímulo sexual, e mais de 50% relataram um aumento na freqüência de orgasmos. Cerca de um terço das pacientes que receberam placebo também relataram melhor desempenho sexual. Resultados semelhantes foram encontrados na avaliação dos adesivos de testosterona, sugerindo um componente emocional na origem dos distúrbios sexuais. As mulheres com tendência a problemas de sangramento e que utilizam anticoagulantes não devem receber suplementos contendo gingko, tendo em vista o seu efeito anticoagulante.

Deidroepiandrosterona (DHEA) - Esse hormônio, produzido pelas glândulas adrenais, é convertido pelo organismo em estrógeno e testosterona. Os níveis de DHEA começam a diminuir por volta dos 30 anos de idade, e alguns especialistas acreditam que a reposição desse hormônio aumenta os níveis de estrógeno e testosterona. Alguns afirmam que a DHEA também apresenta ação sobre a libido.

Lubrificantes vaginais - As mulheres que apresentam perda de lubrificação vaginal antes ou durante a menopausa, e que não desejam tomar hormônios, podem encontrar vários lubrificantes nas farmácias. Entre os produtos disponíveis que podem melhorar os sintomas e ajudar a aumentar o prazer sexual, encontram-se o gel K-Y, Astroglide (Biofilm, Inc), Vagisil Intimate Moisturizer (Combe), e o Replens (Columbia Laboratories). Estes produtos são a base de água e podem ser utilizados com preservativos.

Novidades a caminho
Vários produtos estão sendo testados no tratamento dos distúrbios sexuais femininos, incluindo: cremes vasodilatadores; adesivos de testosterona; um creme produzido a partir da combinação de óxido nítrico e substâncias extraídas de uma árvore africana; e um esteróide oral sintético, o Livial (Organon), utilizado na Europa para o tratamento dos sintomas da menopausa.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br